Feliz Ano Novo!
Neste ano de 2016 eu iniciei um novo projeto em Canoas, RS e estou muito contente com os resultados. Agradeço muito à todos os parceiros veterinários que confiam no meu trabalho e desejo que nesse ano de 2017 possamos juntos continuar a oferecer sempre o melhor aos nossos pacientes! Muito obrigada!
Adriana Meirelles
sábado, 31 de dezembro de 2016
domingo, 11 de dezembro de 2016
Intussuscepção em cães e gatos
A intussuscepção ocorre quando um segmento do intestino é invaginado para dentro do lúmen do segmento adjacente, causando uma obstrução. Pode ocorrer em qualquer porção do trato gastrointetinal, desde o estômago até o intestino grosso, mas é mais comum no intestino delgado e junção íleocecocólica.
Ocorre normalmente com inflamação do intestino (enterite) por
diversas causas primárias como vermes, protozoários, infecções bacterianas ou virais, presença de corpo estranho, tumores intestinais, mudanças
abruptas na dieta, ou cirurgias prévias.
Os cães ou gatos normalmente apresentam diarreia, geralmente
com sangue, vômito e dor abdominal. Os sinais variam conforme a gravidade. É
importante lembrar que a intussuscepção pode ser crônica e intermitente, o que
significa que ela ocorre, se desfaz e depois ocorre novamente.
O exame
ultrassonográfico é um dos principais métodos diagnósticos. A imagem
característica de uma alça intestinal dilatada com alternância de círculos
hiperecogênicos e hipoecogênicos (das camadas intestinais) formam uma lesão em
alvo típica. Na imagem longitudinal, múltiplas camadas intestinais dentro do
lúmen de uma alça intestinal dilatada.
O tratamento é cirúrgico e emergencial, além de reposição
hidroeletrolítica cuidadosa.
domingo, 25 de setembro de 2016
Punções aspirativas por agulha fina (PAAF) guiadas por ultrassonografia
Os profissionais que estão iniciando na ultrassonografia e aqueles que não tem uma rotina muito grande de punções podem treinar e sempre buscar o aperfeiçoamento com moldes facilmente preparados em casa.
O vídeo é a imagem ultrassonográfica de um molde de gelatina. Observe as diferentes ecogenicidades e o nódulo simulando uma lesão. Pode-se observar a agulha no momento de realização da PAAF.
O ultrassonografista deve praticar em moldes pois existe uma curva de aprendizado normal e a excelência deve ser buscada com segurança. Alguém consegue adivinhar o que era esse "nódulo"?
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Sinal de medular na ultrassonografia renal
O sinal de medular é um achado ultrassonografico
representado por uma linha ecogênica paralela à junção corticomedular e na camada
externa da medular renal.
Em 1992 foi publicado um artigo mostrando casos de
animais com doença renal associados à presença do sinal de medular. O primeiro cão
com intoxicação por etileno glicol (na necropsia, rins com presença de cristais
devido à necrose de coagulação do epitélio tubular). O segundo foi
diagnosticado com nefropatia hipercalcemica e linfoma. O terceiro
paciente, um gato com peritonite
infecciosa felina, apresentou
vasculite piogranulomatosa necrosante grave com trombose vascular. O quarto
paciente era um cão com doença renal (biópsia mostrou necrose tubular aguda). O
quinto paciente era um cão que também tinha linfoma e a histologia renal
mostrou uma banda mineralizada na porção externa da medula renal. O último, um felídeo selvagem com nefrite intersticial crônica, também apresentou mineralização. Cinco
dos seis pacientes apresentaram deposição mineral mais evidente na camada
externa da medula. Estes autores sugerem que mesmo quando o sinal de medular é
visto em gatos normais, isso pode ser resultado de uma lesão antiga.
Como o sinal de medular também é visto em pacientes normais,
um grupo publicou um artigo no ano 2000 mostrando o resultado de um estudo com
32 cães com sinal de medular ao exame ultrassonográfico. Setenta e dois por cento dos cães que
somente tinham o sinal de medular como alteração renal não tinham evidência de
disfunção renal. No grupo onde outros achados renais estavam presentes com o
sinal de medular, 78% tinham doença renal. Concluíram, portanto, que o sinal de
medular pode ser um achado e não significar doença renal, mas alertam para o
fato de que a medular não é normalmente biopsiada e por isso, não se tem muitos
detalhes sobre o que causa essa imagem. O alerta é: pode significar que já
tiveram uma lesão anterior ou até mesmo que seja uma lesão sentinela que aparece antes
dos sinais clínicos.
Uma coisa interessante no último artigo foi que citaram que
quando o ultrassonografista sabe da suspeita de doença renal, ele avalia os
rins mais minuciosamente e tende a descrever alterações que podem estar no
limite da normalidade (e é verdade, não?).
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| Rim de cão com sinal de medular. Foto retirada de Biller et
al., 1992 Renal medullary rim sign: ultrasonographic evidence of renal disease.
Veterinary Radiology and Ultrasound, v. 33 (5). |
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Dioctophyma renale, o verme gigante dos rins
Você inclui parasitismo por Dioctophyma renale na sua lista de diagnósticos diferenciais de
hematúria? Se não incluía, passe a incluir. E mais uma vez ressalto a importância
do exame ultrassonográfico sempre! Pode ser uma simples cistite, mas pode não
ser ;-)
O Dioctophyma renale, o verme renal gigante, é um parasita
de ciclo complexo, que precisa de dois hospedeiros intermediários (anelídeos e
peixes ou sapos) para depois infectar o mamífero que come o peixe/sapo cru
infectado. A infecção do humano é rara, mas pode ocorrer. No mamífero (ex: no
cão) a larva penetra a parede do intestino e migra ao rim e/ou cavidade
peritoneal (geralmente o rim direito, devido à proximidade com o duodeno). O
parasita destrói o parênquima renal e na imagem ultrassonográfica vemos a
cápsula renal e o corpo do verme (estruturas anelares e longilíneas como na
foto). Os ovos do parasita podem estar presentes na urina e, portanto, a
análise do sedimento urinário auxilia no diagnóstico. Porém, somente haverá
ovos se um dos vermes for uma fêmea gravídica. Por isso, a ultrassonografia abdominal é tão
importante para o diagnóstico.
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| Na topografia de rim direito de um cão observou-se a presença dos vermes, com destruição do parênquima renal. |
sábado, 2 de julho de 2016
Laudos/relatórios de imagem. Como melhorar?
Laudos/Relatórios de Imagem
Recentemente foi publicado na revista Veterinary Radiology and Ultrasound um artigo mostrando resultados de uma pesquisa com relação aos laudos/relatórios de imagem. O laudo é o documento oficial de comunicação entre o veterinário da área de imagem e o clínico que faz a requisição do exame para melhor atender o seu paciente.
A maioria dos clínicos que responderam à pesquisa não tinham acesso à um radiologista em tempo integral na sua clínica e requisitavam de 0-5 exames por semana. Já os especialistas, em sua maioria, trabalhavam diretamente com pelo menos um radiologista e requisitavam 10+ exames por semana.
A maioria dos especialistas responderam que frequentemente lêem somente a conclusão do laudo. Tanto clínicos quanto radiologistas concordaram que uma breve história clínica é importante para se chegar a um bom laudo. Clínicos e radiologistas concordaram que uma pergunta/dúvida clínica é importante para um bom laudo e que quando houvesse uma pergunta, essa deveria ser respondida no laudo.
Com relação a estrutura do laudo, a maioria dos clínicos preferem laudos com listas básicas por órgão ao inves do texto descritivo.
Com relação ao conteúdo do laudo, se um órgão não foi citado no laudo, a maioria dos clínicos entendem que este não foi visto/estudado pelo radiologista. 80% dos clínicos disseram que mesmo se o laudo fosse colocado de forma simples, eles entenderiam que o exame tinha sido feito de forma minuciosa.
Oitenta e seis por cento dos clínicos ficam satisfeitos quando recomendações de exames adicionais de imagem são feitas. Já as recomendações não relacionadas à imagem são satisfatórias à 86% dos clínicos gerais e somente para 39% dos especialistas. Recomendações cirurgicas foram satisfatórias para 83% dos clínicos gerais e 50% para especialistas.
Concluindo: há uma variedade de maneiras de se fazer um laudo e pouco consenso entre eles. O estudo mostrou, de forma geral, que os clínicos gostam que todos os órgãos sejam mencionados no laudo com listas simples de alterações, incluindo achados incidentais. O histórico e uma “pergunta clínica” a ser respondida facilitam o exame e laudo. Recomendações em geral são bem aceitas pelos clínicos. Especialistas com mais tempo de experiência acreditam saber usar a informação da imagem em sua especialidade de melhor forma que o radiologista, porém relataram que frequentemente não teriam visto alguma alteração relatada pelo radiologista. Os clínicos relataram que os laudos eram longos demais para manter a relevância clínica. Os clínicos gostam de uma lista de diagnósticos diferenciais mais restrita, enquanto o radiologista precisa acrescentar uma lista mais extensa por questões legais.
O artigo está disponível para quem quiser mais detalhes. Acho que vou ter que adaptar meus laudos um pouquinho depois de ler essa pesquisa ;-)
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Ultrassonografia e carcinoma de células transicionais em cães
Nos últimos dias acompanhei dois casos de
possível neoplasia em bexiga. Em um deles, pude realizar uma ultrassonografia
controle após tratamento para cistite e a imagem mudou completamente descartando
a suspeita inicial de tumor e confirmando a suspeita de presença de coágulo. O
outro caso já estava mais avançado, com comprometimento de ureteres e
hidronefrose bilateral (mas também sem confirmação histológica). Então, achei oportuno escrever sobre o carcinoma de
células transicionais (CCT).
O CCT é a neoplasia maligna de bexiga mais
comum em cães. A localização mais frequente é o trígono vesical. A
ecogenicidade costuma ser complexa, mais reduzida em relação à parede normal. A
hidronefrose e/ou hidroureter são complicações que podem ocorrer em casos de
neoplasias em bexiga. Um trabalho publicado na Veterinary Radiology and
Ultrasound (Léveilée et al., 1996) comparou radiografia contrastada
e ultrassonografia na pesquisa de neoplasias de bexiga e comprovou que a ultrassonografia realmente é o melhor
método para detecção de tumores na bexiga. As imagens descritas nos 15 animais do estudo variavam entre massas sésseis,
únicas ou múltiplas, invasivas ou não invasivas na parede; massas não invasivas
pedunculares; e somente espessamento da parede na região do trígono. Algumas
imagens podem ser confundidas com tumores (coágulos, cistite, cálculos). A
extensão da lesão na uretra é melhor avaliada por meio de uretrografia
retrógrada.
A citologia
geralmente é suficiente para diagnóstico do CCT, porém existe uma possibilidade
de implantação de células tumorais no trato da agulha da punção. Um artigo de
2002 (Nyland et al., 2002) relata alguns casos e sugere uso de sondagem
uretral "traumática" para aquisição de células até que se saiba mais sobre a real frequência
dessa complicação.
A ultrassonografia é, portanto, muito válida sempre que um paciente apresentar hematúria, estrangúria, incontinência... ou qualquer outro sintoma relacionado ao trato urinário e a minha sugestão é que o exame seja realizado antes mesmo do início de qualquer tratamento. Assim, podemos escolher o tratamento adequado e controlar o tratamento de forma mais objetiva.
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| Bexiga de cão com espessamento e irreguluaridade na porção do trígono vesical. Possível neoplasia. |
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| Presença de estrutura oval séssil, sem mobilidade, em parede dorsal de bexiga de cão (possível coágulo, bexiga normal após 7 dias de tratamento com antibiótico). |
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