A adrenal direita fica medial ao rim direito, é mais cranial
que a esquerda e adjacente a superfície dorsal da veia cava caudal, no espaço
retroperitoneal. Esse vídeo mostra uma adrenal direita aumentada e sua
localização e relação com a veia cava caudal. A aorta aparece mais dorsalmente.
Vemos também o rim direito e o lobo caudado do fígado.
sábado, 3 de fevereiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
Avaliação ultrassonografica da uretra peniana no cão
O exame ultrassonográfico do cão (macho) deve sempre incluir
a avaliação da uretra peniana, especialmente quando há alguma suspeita de
obstrução, sinais de incontinência, entre outros. Na avaliação
ultrassonográfica podemos observar o prepúcio, a túnica albugínea, o osso
peniano, a uretra, o corpo cavernoso e o corpo esponjoso.
O desenho esquemático mostra o pênis, o osso peniano que aparece como
uma estrutura longitudinal hiperecogênica central. Ventral ao osso peniano está
a uretra e nesse caso, as litíases e respectivas sombras acústicas. No vídeo, observem pelo menos quatro cálculos na uretra peniana de um cão.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
A bexiga e as duas patologias mais comuns na rotina
As duas patologias de bexiga (vesícula urinária) mais encontradas nos exames
ultrassonográficos de cães são cistite e litíases.
No vídeo, a primeira bexiga não tem
alterações, está normoespessa e sem sedimento. A segunda, tem parede espessada
e uma estrutura formadora de sombra acústica (litíase), a última está pouco
repleta, com a parede espessada e irregular (cistite).
As causas mais comuns de
cistite são inflamatórias ou bacterianas, mas também pode menos comumente ter causa
parasitária ou fúngica.
As litíases podem ser de tamanhos diversos, quantidades
e formas também variam. São normalmente móveis e se encontram na porção
dependente do lúmen. Normalmente apresentam um contorno curvilíneo,
hiperecogênico e na maioria dos casos apresentam uma sombra acústica forte.
Pequenos cálculos ou sedimento mineralizado podem aparecer como uma interface
linear (como na figura abaixo).
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| Grande quantidade de sedimento mineralizado formando uma interface linear hiperecogênica com sombra acústica posterior |
domingo, 17 de setembro de 2017
Ultrassonografia e obstrução intestinal
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| Alça intestinal dilatada e segmento posterior à dilatação com estrutura de interface brilhante, hiperecogênica e formadora de sombra acústica posterior |
As imagens acima são de um paciente canino que foi levado para atendimento veterinário após
algumas semanas de diarreia e emagrecimento. Durante o exame ultrassonográfico,
foi visualizada uma porção do intestino com material hiperecogênico brilhante
formador de sombra acústica posterior e leve dilatação de lúmen em segmentos
craniais. Nesse momento, foi relatado que o animal comia de tudo, inclusive
lixo. Ele foi encaminhado para cirurgia e o intestino estava repleto de lixo,
plástico, plantas, etc...
Os corpos estranhos podem ter tamanhos e formas variadas. A
presença de uma interface brilhante com forte sombra acústica posterior são
altamente sugestivas de corpo estranho. As fezes no cólon também podem parecer
corpo estranho, já que fezes compactas também formam sombra acústica. É
importante observar se segmentos craniais ao material suspeito estão com
acúmulo de gás e fezes, se há ileo paralítico (nesse caso mecânico) ou presença
de peristaltismo não evolutivo.
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| Corpo estranho arredondado e estômago dilatado e com acúmulo de líquido e material particulado. |
Nesse outro caso, o paciente apresentava vômito (sinal mais
compatível com obstrução) e no exame ultrassonográfico,
foi visualizada estrutura arredondada com forte sombra acústica posterior, além
de acúmulo de conteúdo líquido particulado em estômago. Na cirurgia, foi encontrada uma bolinha de borracha.
Em 2011 foi publicado um artigo interessante (Veterinary
Radiology & Ultrasound, vol 52, n3, p248-255,
2011) - comparando radiografia e
ultrassonografia para o diagnóstico de obstrução mecânica do intestino delgado
em cães com vômito. Nesse estudo, eles tentaram encontrar achados ultrassonográficos
que fossem bastante indicativos de obstrução e que dessem mais confiança na
hora do diagnóstico. A presença de fluido peritoneal não foi específica para
obstrução, já que foi visto também em 20% dos não obstruídos. O número de
contrações de intestino delgado e estômago também não foi específico, já que
houve sobreposição entre os grupos (muitos pacientes não obstruídos
apresentaram hipomotilidade por íleo funcional e hipermotilidade por causas não
cirurgicas que causam vômito). Os exames ultrassonográficos foram mais precisos
que os radiográficos. O estudo também frisou que encontrar uma alça de jejuno dilatada (com diâmetro de serosa a serosa
maior que 1,5 cm), com as camadas da parede normais, é um bom indicativo para
que o examinador avalie cuidadosamente todo o abdomen em busca de obstrução
mecânica de intestino delgado.
domingo, 28 de maio de 2017
Ultrassonografia e hérnias diafragmáticas
Hérnias
diafragmáticas devem ser investigadas em qualquer histórico de trauma. O trauma
pode ser recente ou ter ocorrido há vários anos. A confirmação diagnóstica pode
ser realizada por radiografia (às vezes com necessidade de contraste) ou pela
ultrassonografia.
Em casos de trauma recente, há possibilidade de uso da
técnica TFAST que é um acrônimo do inglês Thoracic Focused Assessment with
Sonography for Trauma, técnica descrita por Gregory Lisciandro e que significa ultrassonografia
torácica focada para trauma.
Nessa figura, a ilustração de um caso de felino com histórico de trauma e dispnéia que foi submetido a avaliação TFAST e a
avaliação intercostal mostrou parte do fígado e estômago dispostos na mesma
imagem e sobrepostos ao coração. Confirmação de ruptura de diafragma e hérnia diafragmática.
sábado, 15 de abril de 2017
Ultrassonografia e nódulos pulmonares
A ultrassonografia pode ser útil na detecção de nódulos pulmonares quando estes
estão localizados na periferia do campo pulmonar. O nódulo causa uma ruptura
focal da superfície refletiva do pulmão. Na maioria dos casos são bem
circunscritos, hipoecogênicos (quase anecogênicos), e formam um ângulo agudo
com a parede torácica. Em volta do nódulo, há tecido pulmonar aerado. O nódulo
pulmonar se move com o resto do pulmão com o movimento da respiração.
Alguns outros diagnóstico diferenciais podem ser considerados, especialmente levando-se em conta o histórico do paciente. Os nódulos podem ser aspirados para confirmação diagnóstica de neoplasia (metástase pulmonar) por citologia.
Seguem alguns exemplos de nódulos pulmonares em paciente com crise dispneica aguda e presença de neoplasia mamária.
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| Nódulo circunscrito medindo 2 x 1,8 cm. Observa-se a sombra acústica produzida pela costela e a ruptura focal em ângulo agudo da superfície refletiva do ar no pulmão. |
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| Presença de dois nódulos hipoecogênicos em parênquima pulmonar. |
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| Nódulo medindo 0,7 cm em campo pulmonar periférico. |
domingo, 2 de abril de 2017
Ultrassonografia e úlceras gastrointestinais
Esse mês, ou melhor, ontem (abril/2017), foi publicado um
artigo muito interessante na revista “Journal of Small Animal Practice” (v58)
sobre úlceras gastrointestinais em cães. É um assunto interessante pra mim
porque tenho visto cada vez mais casos na minha rotina.
A úlcera é a ausência focal da mucosa gástrica ou intestinal.
As principais causas de úlcera intestinal em cães são: administração de
fármacos anti-inflamatórios não esteroidais e esteroidais (corticóides),
ingestão de corpos estranhos, exercício físico intenso, neoplasias,
doença intestinal inflamatória, doença hepática, uremia, dentre outras.
Os sinais podem variar desde os mais inespecíficos como
inapetência, letargia, fraqueza, até abdomen agudo com muita dor, distensão
abdominal, vômito. Em casos de suspeita de peritonite, esses pacientes são
candidatos a cirurgia de laparotomia exploratória de urgência.
Para detecção de úlceras por radiografia, um dos sinais que pode causar suspeita é a
presença de gás livre na cavidade (pneumoperitôneo) e para ver a úlcera em si,
seria necessário o uso de contrastes (lembrando que o bário é contraindicado quando existe a suspeita de
perfuração e o exame radiográfico poderia retardar um diagnóstico mais rápido). A ultrassonografia é o método mais utilizado (a tomografia
computadorizada também pode ser utilizada, mas pelo menos na minha rotina ainda
está longe da realidade).
Ultrassonograficamente, a úlcera é vista como um
defeito na mucosa ao centro de uma área espessada na parede do estômago ou
intestino contendo ecos (de tamanhos variados) que possivelmente representem bolhas de gás
que se infiltram no defeito da parede.
Um dado importante é que líquido livre peritoneal pode ser
encontrado tanto em úlceras não perfuradas como as perfuradas (mais comum na
última) e gás livre somente nas perfuradas. Nos casos em que for possível
coletar o líquido livre guiado por ultrassonografia, a presença de células
brancas com bactéria intracelular é diagnóstica de peritonite séptica (claro,
nem toda peritonite séptica é causada por úlceras – a união de vários dados
clínicos, de imagem e laboratoriais é imprescindível). Também vale lembrar que
a ecogenicidade do líquido livre NÃO é diagnóstica de peritonite, já que pode
ser hiperecogênico OU anecogênico na peritonite).
Aos apaixonados por ultrassonografia como eu, recomendo a
leitura do artigo na íntegra. Muito bom!
Abaixo registro alguns casos que tenho acompanhado. As suspeitas de úlcera gástrica e/ou
intestinal não foram confirmadas por cirurgia, endoscopia ou necropsia.
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Paciente canina com perda de peso. Nessa imagem
do estômago, observa-se uma perda abrupta da delimitação das camadas da parede. Exames de sangue evidenciaram
doença renal e uremia.
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Paciente canino com vômitos e muita dor
abdominal. Na ultrassonografia, estômago com área de desestruturação das
camadas parietais, com erosão e presença de gás.
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Paciente com dor abdominal e
inapetência. Na ultrassonografia,
espessamento focal e nodular da parede do estômago causando área de defeito em
mucosa.
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